Solidariedade em tempo de pandemia

“Fraternidade e Vida: dom e compromisso” – “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34). Estes são o tema e o lema da Campanha da Fraternidade da Quaresma deste ano. Nunca uma Campanha foi tão desafiadora como esta. Com a Campanha, chegou a Pandemia ou podemos dizer que com a pandemia chegou a Campanha. Misericordioso é nosso Deus que nunca desampara os pobres. Com a pandemia do corona-vírus a pobreza extrema do nosso povo foi desnudada, caiu a máscara do neoliberalismo e o momento é de unir todas as forças para contribuir, em rede, com toda e qualquer iniciativa que salve a vida das pessoas.

Nós, as Irmãs Dominicanas da comunidade Bem Viver, juntamente com outras Irmãs da Região onde moramos, em Goiânia, décimos assumir o desafio de sermos solidárias com aquelas famílias mais necessitadas. Nossa fundadora, Madre Anastasie, nos deixou um legado que jamais poderá ser esquecido e deve ser concretizado no dia a dia da nossa missão: sermos irmãs no meio do povo e não damas. De repente fomos forçadas ao distanciamento social, como forma de evitar o colapso na rede de saúde que já vinha quase colapsada. Ir. Guida e eu, na faixa de risco por sermos idosas, impedidas de sair de casa, encontramos em nossas Irmãs vizinhas a solidariedade. Elas fazem compras de alimentos e remédios para nós, quando precisamos e fazem a ponte para que nossas doações cheguem às pessoas necessitadas. E nós duas, encontramos uma maneira de também sermos solidárias com outras pessoas que estão precisando, sem sair de casa. Decidimos participar do Projeto #SolidarizaGoiania, criado por Fabrício Rosa, um amigo que participa conosco na Rede Um Grito Pela Vida. O projeto é auto-gestionado. Foi criado um grupo para quem quiser se conectar, compartilhar e identificar maneiras de ajudar outras pessoas em Goiânia, especialmente aquelas mais vulneráveis. Nele existem muitas formas de ajudar, umas são à distância, outras dependem de nossa presença física. As pessoas ingressam nos grupos por região ou para oferecer ajuda, especificando que tipo de ajuda pode dar ou para pedir ajuda. E os que se oferecem para serem voluntários vão fazendo a ponte para viabilizar que as doações cheguem às famílias necessitadas.

Ir. Guia e eu entramos no Projeto como voluntárias para contactar, por telefone, pessoas que se oferecem para fazer doações com pessoas que se cadastram para pedir ajuda. Além disso, fizemos também nossa doação em dinheiro, através da Vakinha on line.

Ouvindo também o apelo das Irmãs do Lar São Vicente de Paulo, em Goiás, solicitando apoio na mudança de uma parte dos internos para a chácara, decidimos também enviar uma doação a elas e entramos em contato com pessoas amigas ou da família de Ir. Guida que também fizeram suas doações. Nos sentimos felizes em poder ajudar, compartilhando do pouco que temos com quem tem menos ainda. Em meio a tanto sofrimento e dor, encontrar um meio de curar feridas e preservar a vida nos dignifica e nos aproxima mais de Deus e das pessoas.

Assim estamos vivenciando nossa Quaresma, nos passos de Jesus e fazendo essa travessia de isolamento social, distante fisicamente, mas próximas pela solidariedade. Que este tempo de purificação nos proporcione ser pessoas melhores, renovadas na Ressurreição de Jesus Cristo. Que Deus seja sempre nossa fortaleza!

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